Amar a Pátria
é um dever de todo o cidadão

Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007

Questão que dá que pensar...


MUDAR O PAÍS OU DE PAÍS ?
PÚBLICO, 22-Dezembro- 2006
 

NOTA PRÉVIA: O TEXTO SEGUINTE É MAIS UMA ANÁLISE DO "ESTADO DO PAÍS". É APENAS MAIS UM PONTO DE VISTA, NESTE CASO UMA VISÃO "À DIREITA" NO LEQUE POLÍTICO. É UM DOCUMENTO MAIS PARA UMA REFLEXÃO QUE SE VAI FAZENDO EM PORTUGAL!


"Entre Cavaco e Sócrates há mais do que uma cooperação estratégica, há uma verdadeira cooperação simbiótica. Então que de uma vez por todas nos falem verdade, arrisquem a impopularidade. "
"Portugal entrou para um clube de ricos, que tem exigências muito elevadas. E entrou sem ser rico, sem gostar de trabalhar e sem medir as consequências. Nas relações económicas internacionais, como na vida, é pior ser o mais pobre dos ricos do que o mais rico dos pobres."
As coisas são o que são: ou, como muito gostava de dizer um muito nefasto primeiro-ministro, é a vida. Os factos, esses, são os seguintes: entre 2003 e 2005 Portugal foi baixando todos os anos o PIB "per capita"(em paridades de poder de compra) em relação à média da União Europeia. Se compararmos 2005 com 1999 descemos cerca de 10 pontos percentuais ! E a UE acha que até 2007 ainda vamos baixar mais dois pontos percentuais em relação à média. No mesmo período, a Grécia, a Espanha, a Irlanda e muitos outros aproximaram- se (ou subiram ainda mais para cima) da média comunitária. Há anos estávamos à frente da Grécia e agora estamos separados por 13 pontos percentuais (84%"versus" 71); da Espanha estamos agora a 27 pontos (98%"versus" 71). A República Checa e, antes dela a Eslovénia, já nos ultrapassaram e outros países de Leste aproximam-se rapidamente.
Perante isto é fácil, demasiado fácil, culpar as loucuras do guterrismo e/ou a actuação dos governos que se seguiram. É fácil e, o que é mais grave, um disparate fazê-lo. Por um lado, porque com isso se contribui para acentuar a desculpabilizaçã o dos portugueses, motivando-nos a pensar que a responsabilidade é dos governos e que bastará (magicamente) descobrir um hipotético bom governo para que tudo se resolvesse. E, por outro, sem descurar a enorme responsabilidade de sucessivos governos, porque o problema é de fundo e substancial, e não se resolve apenas com medidas governamentais, ainda que duras e impopulares, como têm aliás de ser.
Há muitos anos que o digo. Portugal entrou para um clube de ricos, que tem exigências muito elevadas. E entrou sem ser rico, sem gostar de trabalhar e sem medir as consequências. Nas relações económicas internacionais, como na vida, é pior ser o mais pobre dos ricos do que o mais rico dos pobres. Nos primeiros anos em que estivemos no clube, a actual União Europeia, foram tudo facilidades, o único caminho é para cima, finalmente somos europeus, agora é que se acabou um passado de miséria, etc. e tal. Depois vieram os inevitáveis preços a pagar, que a entrada no euro só acentuou.
Ao fim de vinte anos de presença na actual União Europeia, Portugal teve um progresso económico e social indiscutível e muito positivo.Se não tivéssemos entrado em 1986, estaríamos hoje muito pior, sobretudo por sermos como somos. Nos primeiros anos, a melhoria rápida das condições de vida serviu como estímulo à auto-estima e à produtividade e muito dinheiro foi esbanjado, mas distribuído, aquecendo a economia e permitindo a criação de centros de racionalidade empresarial e a melhoria do nível de vida das classes médias.
Mas depois, à boa maneira portuguesa, pensámos que o que recebêramos era merecido, era o resultado de um ancestral e não satisfeito direito, estava garantido para sempre e era fácil de assegurar sem mais esforço. Só que não há milagres na evolução das condições sociológicas dos países. Portugal depois de 1986 continuou a ser o país pobre, inculto, preguiçoso, dependente do Estado, vivaço e espertalhão, que vive dos biscates, das cunhas, da fuga ao fisco, do compadrio. A entrada na CEE não provocou, como não podia provocar, uma mudança na atitude básica dos portugueses, mas gerou - e nisso os governos tiveram muitíssima culpa - a autoconvicção de que os tempos difíceis tinham acabado, quando a verdade é que estavam apenas a começar.
O resultado está à vista. Sem uma cultura que valorize o trabalho, a seriedade, o rigor, o esforço, o sacrifício, Portugal cada dia que passa se vai afundando mais. E para ajudar à missa, o ensino - que podia ser um factor determinante de aculturação - é uma vergonha e nada faz pela criação dessa nova cultura essencial à nossa sobrevivência num mundo cada vez mais competitivo. Pelo contrário, os professores são agentes activos para reforçar o arcaísmo e para destruir o que se possa ir formando de massa crítica de modernidade na sociedade portuguesa.
A abertura a leste só pode piorar as coisas. Numa época muito competitiva, aprendendo com os nossos erros, por aquelas paragens aposta-se na redução do Estado, no aumento da produtividade, na educação, na concorrência. Como nós fazemos o contrário (veja-se o extraordinário caso dos supranumerários, que parece que só existem no Ministério da Agricultura! ), o nosso PIB medido em termos de paridade de poder de compra só pode degradar-se, até porque o investimento retrai-se e o aumento em termos reais do PIB é marginal e sempre inferior à médis europeia, para já não falar dos nossos competidores a leste.
O que nos tem valido - e o Governo faria bem em ter a coragem de o afirmar, para não contribuir para a intoxicação em que se afunda a própria capacidade de reagirmos - é que a economia espanhola tem puxado pelas exportações portuguesas. Mas uma redução do crescimento no país vizinho ( que pode estar mais perto do que se pensa) irá degradar de imediato as nossas contas externas e aumentar o desemprego interno.
Estamos condenados ? Claro que não. Li esta semana uma frase que me marcou. "Prefiro mudar o país do que mudar de país", disse um pequeno empresário. E recordo que os portugueses votaram em Cavaco Silva por acreditarem que ele poderia ser um agente muito activo das mudanças essenciais. Como escrevi noutro lado, entre Cavaco e Sócrates há mais do que uma cooperação estratégica, há uma verdadeira cooperação simbiótica. Então que de uma vez por todas nos falem verdade, arrisquem a impopularidade (parabéns a António Costa pelo que afirmou contra a vontade dos sindicatos da polícia em adquirirem direito de greve), mudem os enquadramentos normativos que geram a preguiça e o parasitismo, convençam-nos de que acabou o tempo dos facilitismos. Para isso, em época de "grandes portugueses" , percebam que foram Churchill, De Gaule e Adenauer os que venceram concursos idênticos nos seus países. E saibam que, se nos prometerem sangue, suor e lágrimas, talvez consigam mais de nós do que se continuarem a insistir - sabendo que é mentira - que a prosperidade vai chegar para o ano.

José Miguel Júdice
ADVOGADO

Portugal Ressuscitado editou às 17:03
link do post | comentar | favorito
|

Janeiro 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18

20
21
22
24
25
26

27
28
29
30
31


Defendendo Olivença


Em defesa do português Oliventino

Olivença back to Portugal

Pesquisar no blog

 

Artigos Recentes

Incrível! Inqualificável!

Sócratres e Olivença

A propósito da REGIONALIZ...

será...

Possivel encerramento...

Relembrando...

Hoje estamos em greve

Sobre o maior português.....

Promoção ou traição?

Retaliação...

Arquivos

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Julho 2007

Maio 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Nossos grupos


Olivença é Portuguesa-msn
Por Olivença (Orkut)
Por Olivença (Gazzag)
Viver Livremente (Yahoo)
Liberdade Cristã (Yahoo)
Liberdade Cristã (Gazzag)
Liberdade Cristã (Orkut)

Nossos sites


Nossos sites & Blogs
Miguel & Sylvia
Homepage de Miguel Roque
Orgulho de ser Alentejano
Liberdade cristã

Nossos blogues


Tuga & Zuca
Filhos & Netos
Caminho de Fé
Busca primeiro o Reino
Liberdade Cristã (blog)
Viver Livremente
Alentejano de alma e coração
Alentejo Abandonado
Meu Alentejo amado
Sonho Alentejano
Povo Lusitano
Amizade, Portuga-Galiza
Aqui fala-se português
Península Ibérica
Península Ibérica-ZipNet
Republica, sim…
Independência em perigo
EU, acredito em Portugal
Portugal Ressuscitado
A Bandeira Vermelha
Bandiera Rossa
A voz do proletário
Olivença é Portuguesa
Jornal de Olivença
No meio do inimigo
Sylvinha em Portugal
Sub-blog do tapete
Vira útil
Chiquinha e nós

Estou no...


Estou no Blog.com.pt

E você, blogaqui?
blogs SAPO

subscrever feeds

tags

todas as tags